Com a evolução dos tempos, das necessidades de mercado e da tecnologia estamos finalmente a voltar ao conceito do vinho a copo?. Por Mário Rodrigues (consultor e crítico gastronómico)?
Como em muitas situações, estamos a voltar a formulas que historicamente sempre funcionaram, depois de vários ensaios e implementações muitas vezes “leoninas”, chegando-se à conclusão de que estávamos a dar cabo por vezes de tradições culturais. O vinho a copo foi uma das situações que foi abolida, implementando-se pelo meio o “Vinho da Casa” que sinceramente nunca percebi e que pura e simplesmente nunca funcionou.
Com a evolução dos tempos, das necessidades de mercado e da tecnologia estamos finalmente a voltar ao conceito do vinho a copo, agora com enormes potencialidades, pois o mercado dos vinhos de mesa teve uma evolução espantosa, quer ao nível da variedade quer da qualidade oferecida, de que com alguma dificuldade conseguimos tirar pleno partido. A comercialização em locais públicos apenas do vinho engarrafado limita e muito as opções de escolha e do prazer de degustar diversos vinhos de várias qualidades e regiões, sem se ter que beber ou desperdiçar grandes quantidades limitando o prazer da companhia regrada e acrescida de um excelente néctar.
Quando estamos sós a uma refeição, esta possibilidade permite acompanhar uma refeição com um bom vinho, e basta um copo, que complementa e satisfaz um excelente repasto, seja uma rápida ou calma refeição. Se se tratar de mais do que uma pessoa ou grupos mais numerosos a opção de cada um poder escolher o seu vinho com base nos gostos mais personalizados e/ou combinando com a escolha da refeição é bem mais aliciante. Consumo individual mais regrado, menor custo, melhor aproveitamento e mais vendas na globalidade de cada uma das entidades.
Desde 2010 a ViniPortugal lançou a campanha “A copo” que já alguns resultados obteve e que tenciona prosseguir a par com diversas ações públicas como as festas realizadas em Lisboa e no Porto e a continuidade de diversas ações de formação a nível nacional junto de restaurantes, bares e enotecas. Existem perto de 260 destas entidades aderentes a este serviço, que necessita de equipamento próprio, em que são dadas condições especiais de aquisição, no âmbito destas ações de formação. Alterar hábitos de consumo, melhorar qualidade no serviço de vinhos são alguns objetivos destas ações, que segundo Jorge Monteiro Presidente da ViniPortugal será um projeto que tem de durar pelos menos 5 a 10 anos, para que exista realmente um enraizamento de novos usos e costumes no consumo regrado de vinhos de qualidade em Portugal.
Penso ser a primeira ação concreta e com objetivos práticos direcionada a um consumo alargado mas regrado do vinho em Portugal e simultaneamente profissionalizando cada vez mais os serviços associados. Acho fundamental que a informação das entidades aderentes e que prestam este serviço do “Vinho a copo” esteja disponível de uma forma clara e acessível na Internet, assim como tenham afixado e perfeitamente visível um dístico da ViniPortugal. Esperamos uma adesão cada vez maior a todos os níveis, que beneficiarão todas as entidades intervenientes, dos produtores ao grande público.
Mário Rodrigues - consultor e crítico gastronómico
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*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.?????
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